supernóias
hic sunt dracones
17.1.12
Cavernas do Petar
Na barraca, durante a chuva, querendo guardar um pouco dessa grandeza pra quando eu for pequeno.
22.12.11
4.5.11
No balcão do bar, um homem que mais parece um mendigo abre sua sacola plástica.
De dentro dela sai a réplica da taça Jules Rimet.
Ele a expõe para o garçom.
Seu orgulho envergonhado, como o de um homem que não parece um mendigo.
-
Tudo o que toca na cabeça dos outros: foda-se. Todos, aqui, com as fuças enfiadas em cumbucas específicas (e me custa escrevê-lo, não que seja angústia, mas a palavra não consta no dicionário do meu smartphone).
O que mais me apetece: comer alguma fumaça. Sei bem que é engodo, não sou surdo ao que escrevo. Ser bom, seria. Às vezes. Assim eu escrevia de qualquer forma; mas ontem apeteceu-me fazer história disto tudo, disto que não seria história não fosse um dedão destes de desenhar palavra em telefone estar coçando. Não faço crer nisto, sei bem como é, etc.
Aqui, de posse de qualquer réplica válida da vida que passou, me detenho diante da meia-noite, que acena qualquer passagem por mim. Ainda mais fugaz que a palavra não adivinhada por este robô - tarólogo dos meus dedos -, este que testemunha meus pulmões procurando uma fumaça que estranhamente não está disponível.
Eu queria a perdição hoje, nesta encruzilhada, e não encontrei.
De dentro dela sai a réplica da taça Jules Rimet.
Ele a expõe para o garçom.
Seu orgulho envergonhado, como o de um homem que não parece um mendigo.
-
Tudo o que toca na cabeça dos outros: foda-se. Todos, aqui, com as fuças enfiadas em cumbucas específicas (e me custa escrevê-lo, não que seja angústia, mas a palavra não consta no dicionário do meu smartphone).
O que mais me apetece: comer alguma fumaça. Sei bem que é engodo, não sou surdo ao que escrevo. Ser bom, seria. Às vezes. Assim eu escrevia de qualquer forma; mas ontem apeteceu-me fazer história disto tudo, disto que não seria história não fosse um dedão destes de desenhar palavra em telefone estar coçando. Não faço crer nisto, sei bem como é, etc.
Aqui, de posse de qualquer réplica válida da vida que passou, me detenho diante da meia-noite, que acena qualquer passagem por mim. Ainda mais fugaz que a palavra não adivinhada por este robô - tarólogo dos meus dedos -, este que testemunha meus pulmões procurando uma fumaça que estranhamente não está disponível.
Eu queria a perdição hoje, nesta encruzilhada, e não encontrei.
another day, another dollar
não fui talhado para nada
faço-me o favor de não me fazer favores;
não me invento, se não existo
perdendo contos e pontos
ao cansar o necessário;
se é tarde, largo o passo e chego logo
é desta forma: no atraso
. que desfaço em parte
. assim, de perto e
quase
é o meu traço.
1.4.11
Uma senhora deixa cair um passe de ônibus da bolsa e não percebe. Eu o entrego a ela, que pergunta se é meu, algo entre surpresa e esperançosa de que eu fosse um papai noel fora de estação.
Conta-me então, satisfeita, que encontrou outro dia, em um restaurante, uma carteira com "trezentos reais, duas notas de cinco, uma de dez e três de dois", acrescentando em seguida, com orgulho indisfarçável, que "fosse qualquer um, não devolvia". Ah, bom.
Conta-me então, satisfeita, que encontrou outro dia, em um restaurante, uma carteira com "trezentos reais, duas notas de cinco, uma de dez e três de dois", acrescentando em seguida, com orgulho indisfarçável, que "fosse qualquer um, não devolvia". Ah, bom.
15.3.11
Cubo
Uma caixa na calçada.
Não costumo interagir com caixas na calçada, mas desta vez foi diferente.
Estava fechada, ou parecia fechada.
Examinei, de pé. Não parecia perigosa, mas nunca se sabe, em se tratando desses objetos. Na verdade, estava de cabeça para baixo. Tratei de virá-la com a ponta do sapato. Não havia nada.
Segui viagem, um pouco abalado.
Não costumo interagir com caixas na calçada, mas desta vez foi diferente.
Estava fechada, ou parecia fechada.
Examinei, de pé. Não parecia perigosa, mas nunca se sabe, em se tratando desses objetos. Na verdade, estava de cabeça para baixo. Tratei de virá-la com a ponta do sapato. Não havia nada.
Segui viagem, um pouco abalado.
14.3.11
carros e uma tempestade que já veio
As moedas tilintam na mão do guardador de carros. Eu me furto à comparação com o guardador de ovelhas, mas é um lobo manso – ou quase, como os outros – como suas "ovelhas", quase: é um guardador de lobos, e o sabe, ainda que boa parte dos guardados não, de cara; mas sabe, ele, o que os guarda, e o tratamento é adequado, e os lobos, eles (eu?) se fazem indignados, reagem diante da injúria – com a fome de justiça que caracteriza sua raça.
Escrevo neste caderno querido com a descerimônia com que os viciados em crack vendem as pratas da casa. Impregnado pelos odores do centro, pelo qual caminho nesta madrugada; permaneço plantado neste boteco defronte ao ponto de ônibus. Como se estivesse pronto a correr para dentro de um desses (raros) que circulam a esta hora.
Não estou.
Não estou, e não me sinto satisfeito com o cheiro de plástico queimado que sobe do viaduto. E não me intimido com os populares que passam ouvindo funk, como não me ofendi com os três stormtroopers armados com quem cruzei na augusta, a caminho do bar inicial, a despeito da vontade de tirar uma foto com eles.
E no entanto satisfeito, diante do ruidoso caminhão de lixo; pela primeira vez em anos (meses).
Escrevo neste caderno querido com a descerimônia com que os viciados em crack vendem as pratas da casa. Impregnado pelos odores do centro, pelo qual caminho nesta madrugada; permaneço plantado neste boteco defronte ao ponto de ônibus. Como se estivesse pronto a correr para dentro de um desses (raros) que circulam a esta hora.
Não estou.
Não estou, e não me sinto satisfeito com o cheiro de plástico queimado que sobe do viaduto. E não me intimido com os populares que passam ouvindo funk, como não me ofendi com os três stormtroopers armados com quem cruzei na augusta, a caminho do bar inicial, a despeito da vontade de tirar uma foto com eles.
E no entanto satisfeito, diante do ruidoso caminhão de lixo; pela primeira vez em anos (meses).
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