* Pequena omissão que não haveria de comprometer a história toda, pressupõe-se, e não compromete mesmo, ainda que por isso (e havia o amigo a quem pedir ajuda, mas não hoje AINDA não
23.11.09
* Pequena omissão que não haveria de comprometer a história toda, pressupõe-se, e não compromete mesmo, ainda que por isso (e havia o amigo a quem pedir ajuda, mas não hoje AINDA não
1.10.09

— Porra! — gritou.
Amaranta, que começava a colocar a roupa no baú, pensou que ela tinha sido picada por um escorpião.
— Onde está? — perguntou alarmada.
— O quê?
— O animal! — esclareceu Amaranta.
Úrsula pôs o dedo no coração.
— Aqui — disse."
30.9.09
8.7.09
Morar com ela, em seu apartamento, naturalmente era necessário (...) Andava em toda parte no imenso pardieiro, em toda parte onde a adivinhava. Não a seguia como uma sombra, pois a sombra às vezes desaparece, mas livre de todos os seus passos, fazendo tudo que desejava, sua liberdade passava sempre pela minha, e se ela se encontrasse um momento sozinha, nesse momento ela me encontrava ainda mais em todas as perguntas infinitas que ela sabia que eu lhe faria sobre esse momento e sobre todos os outros em que ela vivera só. É notório que falo pouco. Mas a certas horas, eu era levado a falar por uma força tão premente, eu me sentia obrigado a transformar em tantas palavras insignificantes os mais simples detalhes da vida, que minha voz, tornando-se o único espaço onde eu a deixava viver, a forçava, ela própria, a sair de seu silêncio e lhe dava uma espécie de certeza, de consistência física que de outro modo lhe teria faltado. Tudo isso pode parecer infantil. Não importa. Essa infantilidade foi forte o bastante para prolongar uma ilusão já perdida e forçar a estar ali o que não estava mais ali. Parece-me que nessa tagarelice havia a gravidade de uma única fala, a reminiscência desse "Vem" que eu lhe tinha dito, e ela tinha vindo, ela nunca mais poderia distanciar-se.
(em "Pena de morte", Maurice Blanchot)
15.4.09
haikai ou miguelagem
exausto, não posso dormir, que há muito a fazer; mas não posso fazer, pois estou exausto.
14.4.09
vazio de forma e de fome. voluntarioso
apanha o ônibus sem critério
gasta seus créditos todos em passagens de retorno e punhados de pregos
o tormento que haverá de purgar em marteladas gravuras no cerne da madeira
a verve do suplício a carne do verme
em um apartamento no litoral paulistano há quadros pendurados na parede.
a tela nunca secou propriamente - sobre o óleo fresco se depositou camada sobre camada de poeira. demão constante de maresia. anos a fio, iptu, condomínio, vagas intenções de anúncio nos classificados de venda de imóveis. faz muito tempo que ninguém mais vai lá. não é que não interessa o mar, não é vizinhança indesejável
- os quadros que ninguém vê.